Estoicismo: Definição

Apresentação da corrente filosófica: Estoicismo

O estoicismo, corrente filosófica grega e romana, apresenta-se como uma doutrina panteísta e materialista. Nascido no século IV a.C. com Zenão de Cítio, o estoicismo se desenvolveu até o final do século III d.C.

Estoicismo: do antigo estoicismo ao estoicismo imperial

Existem vários períodos no estoicismo:

– Estoicismo antigo: fundado por Zenão de Citium. Este pensador grego ensinou sob o Pórtico, daí o nome da escola do Pórtico. Temos apenas fragmentos desse pensador. Este antigo estoicismo é antes de tudo uma teoria do universo e uma lógica. Ele define a sabedoria como o “conhecimento das coisas divinas e humanas”, ou seja, como o conhecimento das leis que regem todo o universo, e não apenas a conduta dos homens.

– Estoicismo romano, conhecido como imperial: Sêneca, Epiteto (cujo Manual é modelo da filosofia estoica) e Marco Aurélio tornaram famosa essa corrente filosófica. O novo estoicismo centra-se no homem, no esforço e na intenção do bem: a sabedoria define-se pela posse de uma arte adequada, ou seja, pela aquisição da virtude.

A evolução da doutrina estoica é clara: passamos do físico ao moral.

No estoicismo, a felicidade significa independência das circunstâncias externas e desapego das coisas. O controle de nossas representações e o exercício do julgamento permitem o acesso a ela. É uma filosofia de liberdade interior.

Lógica de acordo com os Estoicos

A lógica estuda as condições de acesso ao conhecimento. Ora, é o sensível que é o modelo do verdadeiro. Quando a alma é essencialmente receptiva, falamos de representação, definida como uma marca na alma. Para chegar à ciência, isto é, a uma compreensão firme e segura, o espírito deve intervir ativamente e trazer à tona a verdade, graças, em particular, às pre-noções ou prolepses, princípios que a alma contém desde o início e que os objetos externos despertam. O conjunto de pre-noções constitui a razão.

Física segundo os Estoicos

O centro da doutrina estoica é a física, o estudo da natureza ou de Deus. O estoicismo pode, de fato, ser considerado como um panteísmo: Deus é o mundo. O Mundo, permeado pela razão, princípio da ordem das coisas, é portador da unidade e da inteligência. É um organismo perfeito, regido pelo Destino, um movimento eterno, contínuo e regulado. O destino é, entre os estoicos, um poder espiritual que administra todo o universo. A providência, definida como o destino e a organização do mundo na medida em que são dotados de finalidade, ocupa, portanto, um lugar importante na física estoica.

No entanto, o estoicismo não acredita no fatalismo, porque o homem ainda tem uma parte essencial da liberdade.

A Moral dos Estoicos

A moral estoica é uma moral da liberdade. Apesar do destino, o homem permanece livre de suas representações e opiniões. Podemos, apesar de não dominarmos as causas, ter controle sobre nossas representações. Liberdade designa o poder de agir por si mesmo no plano do pensamento e do julgamento. O que depende de nós são nossas opiniões e nossos desejos. O que não depende de nós é o corpo, a reputação, as honras, os bens materiais.

O domínio das representações leva à ataraxia, ou seja, à serenidade da alma, à ausência de perturbações, à apatia, um estado da alma que já nem percebe a dor. O homem alcança assim o Soberano Bem, a felicidade concebida como existência segundo a Natureza ou Deus, como vida segundo a razão. As paixões são o principal perigo na vida do Sábio, mas ele consegue dominá-las dominando suas representações.

Estoicismo e Sabedoria

“Tudo é opinião. E a opinião depende de você”. Só este convite de Marco Aurélio resume o pensamento estoico. Nesta breve fórmula, a sabedoria estoica ilustra plenamente o seu ideal, que exerce grande influência sobre toda a filosofia (Espinoza, Descartes, etc.).

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