A Filosofia de Hegel

Hegel é um filósofo alemão que construiu um imenso sistema de pensamento, ordenando o conhecimento de sua época. Ele é, provavelmente, um dos filósofos mais difíceis de se ler na Filosofia. Por isso, apresentamos a você uma introdução à sua obra com o objetivo de tornar sua leitura acessível.

 

Índice

1 Hegel, pensador da dialética e do Sistema

2 Filosofia, sistema do Absoluto segundo Hegel

3 Hegel e a lógica dialética

4 Hegel, atividade humana e história

5 Hegel, Arte, Religião e Filosofia

6 Hegel, filósofo do devir

7 Obras de Hegel

 

1 Hegel, pensador da dialética e do Sistema:

Hegel traz à tona, na história e na cultura humana, a gênese progressiva do Absoluto, que tem, em si, sua razão de ser. A ideia universal, forma superior do Espírito, representa, ao final do processo, o termo Absoluto, em si e por si, elevado à transparência.

2 Filosofia, sistema do Absoluto segundo Hegel:

Aos olhos de Hegel, a filosofia deve abarcar tudo o que é, compreender a realidade em sua totalidade, pensar a história e as coisas: “Apreender e compreender o que é, tal é a tarefa da filosofia”.

A filosofia representa um Sistema (ao contrário de pensadores não sistemáticos, como Nietzsche ou Kierkegaard cujas filosofias dão precedência à subjetividade), ou seja, um todo organizado e fechado do qual todos os elementos são independentes; um conhecimento que forma uma unidade e abrange todos os elementos de pensamento e de vida.

– Este empreendimento totalizante e sintético tem como conteúdo fundamental a Ideia, entendida não como representação subjetiva, mas, como princípio espiritual dinâmico, criação eterna, vida eterna, rolando, em suas ondas cintilantes, todas as coisas finitas determinadas.

– A própria substância da Ideia do que é, se forma, se aprofunda e se desenvolve em diferentes níveis.

Existe primeiro como Pensamento idêntico a si mesmo (primeiro momento). Então, sai de si e se exterioriza (segundo momento). Por fim, no terceiro momento, a Ideia volta a si mesma e se desenvolve como Espírito, ou seja, como Pensamento, esclarecendo-se pouco a pouco e chegando finalmente ao Absoluto.

– Lógica: ciência da Ideia e categorias lógicas, Filosofia da Natureza, ciência da Ideia que se desenvolve na Natureza externa. Ela disciplina o retorno da Ideia para si mesma, seu estudo e sua existência externa, que correspondem aos três momentos descritos acima.

3 Hegel e a lógica dialética:

Consideremos, antes de tudo, a lógica e as leis da dialética. A Ideia se desenvolve, aliás, dialeticamente, segundo certas determinações e leis que Hegel analisa na Lógica.

O princípio fundamental de Hegel é a ideia de desenvolvimento e progressão dialética. Mas, o que a dialética designa para esse pensador?

– Essencialmente, é o curso do pensamento procedendo pela superação das contradições, indo da tese à antítese e à síntese.

– É pela superação sucessiva das contradições que se dá o movimento de todo devir. O termo “superação” designa muito precisamente, em Hegel, o ato de suprimir e negar conservando, sem aniquilar.

– A cada etapa, uma determinação é negada e, ao mesmo tempo, preservada.

– Assim, o botão desaparece no desabrochar da floração: a flor nega o botão e, ao mesmo tempo, o preserva.

– O mesmo vale para a aparência do fruto, negação e preservação da flor.

Tal é esta caminhada onde cada termo negado é, ao mesmo tempo, integrado.

– É assim que uma síntese reúne e unifica momentos antitéticos.

– Nesse desenvolvimento, um papel importante é desempenhado pela contradição, ou seja, o jogo de termos do qual um é a negação do outro: assim “mortos” e “vivos” não estão isolados, mas, em constante trocar uns com os outros.

– Da mesma forma, “ser” e “nada”, “quente” e “frio”, esses termos contraditórios se chamam reciprocamente.

Nesta perspectiva, o negativo desempenha, naturalmente, um papel essencial.

– O negativo, ou seja, o momento do processo de desenvolvimento onde as determinações positivas são suprimidas, encarna um verdadeiro “trabalho” criativo.

– Destrói, mantém e preserva, em um único movimento.

Momento negativo e momento positivo são os dois lados da dialética hegeliana.

4 Hegel, atividade humana e história:

O negativo por excelência é o homem que nos faz apreendê-lo. O homem representa, de fato, fundamentalmente, um desejo negador: ele tende para uma meta ou um objeto e tenta assimilá-lo, negá-lo, torná-lo seu (por exemplo, a comida é absorvida pelo sujeito).

Mas, o verdadeiro objeto do desejo é o Outro: a consciência só é gerada e formada ao dirigir-se para o Outro, a quem tende a dominar para ser reconhecida como uma “consciência do mestre”.

Hegel mostra que, apenas o desejo do desejo gera o eu. Na luta pela morte do puro prestígio, a consciência humana enfrenta outra consciência e luta para ser “reconhecida” em sua superioridade.

Para além da formação do eu individual, é no Trabalho e na História que a negação se expressa com toda a sua força edificante.

– Trabalhar é, de fato, negar a natureza para superá-la, é construir ferramentas para submeter o mundo exterior à forma humana.

– Assim, o homem humaniza as coisas e domestica a natureza.

– Exerce uma atividade prática, expressão que designa uma transformação das coisas externas, marcada, portanto, com o selo da interioridade e da negatividade humanas.

Também a história (entendida como desenvolvimento da Ideia e processo espiritual total) manifesta plenamente a negatividade humana que nela se inscreve: é um devir onde o homem nega o mundo e, assim exterioriza a sua liberdade.

– No entanto, não se deve interpretar mal o caráter da evolução histórica.

– Certamente, um indivíduo histórico marca seu próprio projeto nas coisas, mas ele é apenas o encarregado de negócios do Espírito do mundo.

– Com efeito, a História, esse movimento espiritual total pelo qual é gerada a Ideia absoluta, é uma manifestação da razão, concebida como um Princípio divino imanente ao mundo.

– A razão rege as coisas e, para realizar seus propósitos, utiliza as vontades ou paixões dos indivíduos.

Os homens realmente fazem o que querem?

– De fato, a Razão faz “artimanhas”: podemos chamar de “artimanha da razão” o fato de ela não agir por si mesma, mas deixar que as paixões humanas atuem em seu lugar.

– Assim os homens se desgastam e se esgotam para realizar um projeto que os excede infinitamente, o da “Razão” divina.

Aos olhos de Hegel, o processo histórico tende, por meio dessas várias “artimanhas”, a uma inteligibilidade e transparência cada vez mais perfeitas.

– Em particular, o Estado é uma conquista da razão absoluta. Longe de designar uma organização relativa e contingente, representa a substância social que tomou plena consciência de si.

– Nele, o homem se afirma e se encontra: longe de ser deixado ao arbítrio, ele experimenta, na organização estatal, uma autêntica autonomia.

A história, portanto, não tem, em Hegel, um significado restrito, mas designa um processo global e universal. A História Universal nada mais é do que a manifestação do processo divino absoluto do Espírito, a marcha gradual pela qual ele toma consciência de si mesmo.

5 Hegel, Arte, Religião e Filosofia:

As etapas finais do processo espiritual total correspondem às da Arte, da Religião e da Filosofia: o movimento do Espírito adquire então uma transparência cada vez maior.

– A arte, de fato, manifesta o Absoluto de forma sensível.

– Designa o Espírito tomando-se como objeto, expressando-se por meio de uma forma ou representação concreta.

– Quanto ao Belo, define-se, nesta perspectiva, como a manifestação sensível da Ideia. A Ideia, concebida como forma superior do Espírito, realiza-se plenamente na obra de arte e no Belo.

– No entanto, ele ainda assume, na obra de arte, uma forma sensível e ainda não atinge o conceito puro, como acontecerá na filosofia.

A arte é, para nós, doravante, do passado: ela perdeu, pensa Hegel, em nossa civilização, sua verdade e sua vida.

– Esse declínio possibilita a chegada da Estética, da reflexão filosófica sobre a Arte e da filosofia das Belas Artes.

Na Religião (formação onde o indivíduo se eleva ao pensamento de Deus e entra em união com ele), e na Filosofia (inteligência e pensamento do presente e do real, concepção e sistema do que é, apreensão conceptual do mundo na sua unidade), o Espírito gradualmente se despoja de sua matriz sensível.

Assim, o Espírito Absoluto, liberto de suas particularidades, alcança perfeita igualdade consigo mesmo.

– Designa a Ideia de que alcançou a transparência, o seu ser para si e o autoconhecimento, pela mediação final da Arte, da Religião e da Filosofia.

Nosso tempo é particularmente severo em relação a Hegel. Aos olhos de Hegel, tudo o que aconteceu marca, de fato, um passo para a realização do Espírito. Qualquer fenômeno histórico pode encontrar, neste contexto, sua plena legitimação, desde que seja convocado pela própria exigência da Razão.

Se esse racionalismo integral nem sempre é considerado satisfatório por nossa cultura, os ensinamentos da dialética hegeliana não são de forma alguma obsoletos. Negatividade e obra de contradição, tantos ricos elementos hegelianos que devem ser levados em conta e que permanecem como instrumentos de análise.

Para concluir, é importante ressaltar que a lei também obedece a esta forma de filosofia dialética.

6 Hegel, filósofo do devir:

Hegel foi capaz de definir uma razão dialética, ou seja, uma faculdade dinâmica e um processo que indica a passagem de uma determinação do ser para a determinação oposta.

7 Obras de Hegel:

Fenomenologia do Espírito (1807) – (principal obra de Hegel).

Propedêutica Filosófica (1809-1816).

A Ciência da Lógica (1812-1816).

Resumo da Enciclopédia de Ciências Filosóficas (1817).

Princípios da Filosofia do Direito (1821).

Sem esquecer as obras (póstumas) publicadas por seus discípulos, incluindo:

Lições de Filosofia da História e,

Estética e Lições de Filosofia da Religião.

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