Freud: Id, ego and super-ego – Análise do segundo tópico

blue joan miro
As obras de Miro são muitas vezes consideradas a expressão da libertação do superego, do inconsciente pulsional.

Resumo da teoria freudiana do id, ego e superego

A revolução operada por Freud é bastante simples: a teoria psicanalítica consiste em destruir, em desintegrar o sujeito humano, como Descartes então Kant o havia definido, um sujeito definido como sendo dotado de uma faculdade de representação, a saber, a Consciência. A consciência na filosofia clássica era uma e única, autocontida, sem falhas. Freud justamente introduz uma falha no próprio sujeito humano.

Freud elaborou duas teorias do inconsciente: O primeiro tópico foi dividido em três partes (consciente, pré-consciente, inconsciente), mas Freud rapidamente compreendeu os limites dessa concepção.

Criou, assim, um segundo tópico (em 1923), construído sobre o tríptico ca, supermoi, moi. É este segundo tópico que mais profundamente marca a cisão com a filosofia clássica. Freud de fato define três autoridades presentes no homem, que regem seu comportamento, tanto consciente quanto inconsciente.

Freud e o id

O beijo - Gustav Klimt
O beijo – Gustav Klimt

Eis como Freud o descreve o id:

“É a parte mais obscura e impenetrável da nossa personalidade. [Lugar do] Caos, pote cheio de emoções borbulhantes. Enche-se de energia, dos impulsos, mas sem mostrar nenhuma organização, nenhuma vontade geral; tende apenas a satisfazer as necessidades instintivas, em conformidade com o princípio do prazer. O id não conhece nem suporta a contradição. Não há sinal da passagem do tempo”

O id designa a parte mais inconsciente do homem, é o reservatório dos instintos humanos, o receptáculo dos desejos não reconhecidos e profundamente reprimidos. Essas necessidades instintivas precisam ser canalizadas, em particular através da sublimação (que consiste em realizar um desejo instintivo de forma indireta). O exemplo dado por Freud é o artista sublimando seus impulsos através da arte.

Freud e o Superego

Bal du moulin de la Galette - Pierre-Auguste Renoir
Bal du moulin de la Galette – Pierre-Auguste Renoir

O Superego representa uma internalização das proibições parentais, um poder proibitivo que o Ego é obrigado a levar em conta. O ser humano sofre, de fato, durante sua infância, uma longa dependência que expressa o Superego. O superego é aquela voz dentro de nós que diz “não devemos”, uma espécie de lei moral que age sobre nós sem entender sua origem.

Freud e o ego

frida-kahlo
Autorretrato de Frida Kahlo

O Ego designa a parte da personalidade que assegura as funções conscientes:

O ego tem a missão de ser o representante deste mundo aos olhos do id e para o bem maior deste. Com efeito, o ego, sem o id, aspirando cegamente às satisfações pulsionais, romperia imprudentemente contra essa força externa mais poderosa que ele. O ego destrona o princípio do prazer, que, no id, domina da forma mais absoluta. Ele o substituiu pelo princípio da realidade mais adequado para garantir segurança e sucesso.

O ego garante a estabilidade do sujeito, impedindo-o de liberar seus impulsos no dia a dia.

Resumo da teoria de Freud

Em Freud, o ego corresponde à parte defensiva de nossa personalidade, é considerada a mais consciente. Ele tenta, através de um papel de mediador, responder aos respectivos interesses do id, do superego e do mundo exterior, a fim de encontrar um certo equilíbrio. O Ego é uma “pobre criatura, tendo que servir a três senhores”. Com efeito, o ego tem de suportar a ameaça vinda do mundo exterior, do id e do superego. O id é o “lugar” de onde vêm os impulsos, responde principalmente ao domínio do instintivo e do inconsciente. Além disso, o id, na Interpretação dos Sonhos em particular, não conhece regras, nem de tempo, nem de espaço, nem de proibição; ele é governado apenas por sua libido, ou seja, a energia psíquica muitas vezes ligada à sexualidade ou à agressividade, com o objetivo final de alcançar o prazer imediato. Por fim, o superego representa o agente crítico, a internalização de tabus e exigências parentais, sociais e culturais. É parcialmente inconsciente e é formado durante a infância e a adolescência.

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